Você está preparado para escutar verdades?
Há mais de 4 décadas atrás eu tive uma discussão com um amigo de infância por que ele apontou alguns pontos que ele achava errado no meu trabalho como médico. Eu imediatamente rebati apontando alguns detalhes no comportamento dele que eu entendia como algo errado. Depois desta conversa só conversamos profissionalmente e os anos foram passando e percebi que o que ele havia apontado era pertinente e passei a modificar minha conduta. As mudanças agradaram algumas pessoas e desagradaram outras, porém a maioria passou recebeu com satisfação.
Após 30 anos deste episódio tivemos oportunidade de uma conversa extremamente casual, e foi justamente no dia de uma eleição da Cooperativa que fazíamos parte. Ele estava sentado no último banco do “hangar” e eu ao sair passei e sentei ao seu lado. O diálogo foi mais ou menos assim: “Cara, você reduziu muito a sua agressividade e parou de rebater críticas com ofensas. Bom profissional sempre você foi, só falta reduzir a competitividade para despertar menos inveja pois os invejosos são unidos”. Eu tive que concordar, pois procurei mudar estes pontos na minha vida. Antes que eu pudesse responder ele disse assim, hoje eu aprendi que colega não é amigo, que os que te traem estão do teu lado e a minha vaidade não é altruísmo, perdi a eleição mesmo tendo promessas de milhares de votos. Eu dei um abraço e não falei nada, apenas disse que continuávamos amigos e que desejava que DEUS o abençoasse.
Acompanhando as mídias me deparei com as falas recentes do chanceler (cargo equivalente a primeiro-ministro) da Alemanha, Friedrich Merz, durante um discurso no Congresso Alemão do Comércio na semana passada. O chanceler fez as seguintes declarações: Merz fez um comentário depreciativo sobre a cidade de Belém (PA), sede da COP30, onde ele esteve recentemente. Ele deu a entender que a equipe de jornalistas alemães que o acompanhava ficou “contente” ou “feliz” por poder deixar a cidade. Em contraste com sua percepção sobre Belém, ele elogiou a Alemanha e pediu aos presentes que defendessem o país e mantivessem o “senso de orgulho”. As declarações repercutiram muito mal no Brasil, especialmente entre autoridades locais. O governador do Pará, Helder Barbalho, e o prefeito de Belém, Igor Normando, criticaram duramente a fala, classificando-a como “infeliz, arrogante e preconceituosa”. O governo brasileiro, nos bastidores, considerou a declaração uma “grosseria inacreditável”.
Longe de dar conselhos muito menos ao Prefeito de Belém, o qual eu fiz o parto e ao Governador do Pará mas seria bom verificar cada ponto que foi criticado e pensar a respeito. Será que o alemão está correto, será que exagerou?
O mais fácil é realmente ataca-lo e alegar má educação e grosseria, porém um olhar introspectivo e a busca da melhora fossem o melhor caminho.
Infelizmente o meu amigo que apontou as falhas na percepção dele estava certo, eu procurei corrigir e quando tentei agradecer ele havia falecido.
Não esperem muito para avaliar o recado que vem sem envelope, claro e estridente, pois ele pode conter verdades e ao perceber estas verdades talvez seja um pouco tarde.
Estas são as considerações de uma Paraense nascido em Belém que ama sua cidade mas não deixa de perceber as deficiências, irregularidades e deficiências.